
Durante o jogo da discórdia do “Big Brother Brasil 21” da última segunda-feira, dia 5, o participante João tornou pública a insatisfação com um comentário feito por Rodolffo sobre seu cabelo. Na ocasião, o sertanejo disse que cabelo do professor era parecido com a de um “homem das cavernas”. Fora do confinamento, a comparação foi considerada racista por diversas personalidades, como Camilla Pitanga, que explicaram por que.
“Pensar em racismo ainda vem acompanhado de estereótipos da pessoa branca, com fisionomia de ódio, xingando e ofendendo uma pessoa preta. Muitas pessoas ainda não associam o racismo a risadas, comentários ‘banais’ ou ‘tradicionais’, comparações de ‘brincadeira’, situações ‘amigáveis’. O racismo é tão nocivo que se infiltra nos detalhes, nas questões só dia a dia. O cabelo afro, crespo, volumoso, até um dia desses era chamado de “cabelo ruim”. Quem nunca ouviu isso? Mulheres pretas não alisava seus cabelos por não gostar dele simplesmente, mas por ter aprendido, através de humilhação e comparações, que não deveria gostar. Como gostar de algo em você que te transforma em um alvo de risadas? De apontamentos pejorativos? Que dizem ser ruim?”, publicou a atriz.
A carioca também enalteceu a fala de João, dizendo que o brother “deu uma aula sobre como é ter que repetir exaustivamente o óbvio”.
“Ostentar um black power hoje em dia além de lindo, é resistência. Resistir a todo racismo, preconceito e ódio que tentou apagar o orgulho ancestral. O orgulho da origem, história, descendência, cor, traços, herança. O João ontem deu uma aula sobre como é ter que repetir exaustivamente o óbvio de que pessoas pretas não são alegorias engraçadas, pessoas pretas não são personagens caricatos que servem pra satisfazer pessoas brancas. Tem dúvida? Pesquise, aprenda. Errou? Peça desculpas e não reforce o seu racismo tentando se justificar. Não justifique. Reflita. Não quer aprender? Sofra as consequências”.
A cantora Paula Lima também se pronunciou. Em postagem feita em seu Instagram, pediu respeito ao cabelo crespo e afirmou que comentários do estilo não devem mais ser feitos.
“‘Brincadeiras’ de muito mal gosto e tom, usando características estéticas não serão aceitas! Já ouviram falar sobre ‘racismo recreativo’? E por favor, não inventem novas desculpas para argumentar coisas sem sentido. Toda pessoa negra (ou não) pode inclusive, usar o cabelo como bem quiser: liso, lace de todo tipo, crespo, ondulado, loiro… o nome disso é ‘liberdade'”, comentou Paula sobre práticas racistas feitas em tom de piada ou brincadeira.
via Extra