
Dia: 8 de março, 2021

Contemplado no Edital Arte Livre /Secult-CE da Lei Aldir Blanc, o projeto do Curta Metragem “Pra Sair de Casa” conta com a atuação de Júlia Sarmento e roteiro de Tiago Fortes. O curta terá lançamento online no dia 11 de março pelo canal do YouTube do Cineteatro São Luiz e pela plataforma do Grupo de Dois no Youtube nos dias 12 e 13 de março.
Numa Fortaleza fantástica, uma mulher tem sérios problemas ao vestir um pulôver pra sair de casa. Livremente inspirado no conto Ninguém Seja Culpado, do contista argentino Júlio Cortázar, o curta-metragem “Pra Sair de Casa” surge do interesse do Grupo de Dois em dar visualidade à literatura contista de Cortázar, ao estudo da linguagem cômica da palhaça e à necessidade de falar sobre isolamento e reclusão diante da emergência sanitária provocada pelo COVID-19.
As produções teatrais do Grupo de Dois, iniciadas no início do mês de fevereiro, num primeiro momento no Rio de Janeiro e agora em Fortaleza, buscam investigar desde 2006, formas de transformar literatura em teatro a partir de dispositivos contemporâneos e cruzamento de linguagens. Para esse projeto, foi realizada uma parceria com o cineasta Pedro Henrique para, com a ajuda do cinema, explorar o clima ambiguamente mórbido e cômico do conto de Cortázar, sem perder seu caráter intimista.
Júlia Sarmento é Mestre em Artes pelo Programa de Pós-Graduação em Artes da Universidade Federal do Ceará /UFC. Formada pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro / UNIRIO nos cursos de Bacharelado em Interpretação e Licenciatura Plena em Artes Cênicas, ao longo de 24 anos de carreira, trabalhou com artistas como Amir Haddad, Moacir Chaves e Fabianna de Mello e Souza, participou de cursos com Stephanie Brodt, Grupo Moitará, Odin Theater, Lume Teatro, João Fiadeiro, Andréia Jabor, Tadashi Endo, Léo Bassi etc.
Acumula vasta experiência como professora em escolas e centros culturais no Rio de Janeiro. Desde 2006 forma com o ator, professor e diretor Tiago Fortes o Grupo de Dois, que pretende unir filosofia ao teatro, tendo realizado dois espetáculos e uma performance no Rio de Janeiro e em Fortaleza. Como pesquisadora acadêmica, investigou por sete anos (2002 a 2009) a formação do palhaço para ambientes hospitalares no Programa Enfermaria do Riso; e seis anos no grupo Mulheres de Artaud (2001 a 2006) onde pesquisou a linguagem do Teatro da Crueldade de Antonin Artaud.
Desde 2013 vem desenvolvendo pesquisa sobre o Rasaboxes, treinamento para atores e performers criado nos Estados Unidos e ainda pouco conhecido no Brasil. Ao se mudar para Fortaleza em 2010, integrou a Cia. Vatá como bailarina e dramaturgista sob o comando da coreógrafa Valéria Pinheiro. Atuou como professora de consciência corporal no curso de Belas Artes da Universidade de Fortaleza / UNIFOR, e foi coordenadora de Cultura e Arte, na área de formação, do CUCA Che Guevara entre 2011 e 2012. Ao longo de todo esse tempo vem realizando tutorias, orientações, direções artísticas, cursos e oficinas de Palhaço, máscaras e Rasaboxes em Fortaleza, Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba.
Ninguém seja culpado, conto do escritor argentino Julio Cortázar, é inspiração para a realização de um número de palhaça. Kassandra pretende sair de casa mas faz frio e ela precisa colocar um pulôver. Por ser uma palhaça tropical, Kassandra não tem o hábito de vestir roupas de inverno e por aí começam seus problemas. Através da narrativa bem-humorada e um pouco sinistra de Cortázar, Kassandra vai se perdendo dentro do pulôver até o desespero. Seu corpo vai, aos poucos, se voltando contra ela e num final quase surreal, a palhaça é atacada por sua própria mão.
Ninguém seja culpado é uma reflexão sobre os gestos cotidianos e como eles podem ser reveladores de nossa condição no mundo. Os aspectos mais mundanos de nossas vidas têm o poder de revelar nossas maiores fragilidades e fortalezas. O ato banal de colocar um casaco leva o personagem de Cortázar aos limites da loucura e do paroxismo de seu próprio corpo. O personagem, ao querer sair de casa, acaba enredado em sua incapacidade de lidar com um problema simples. Nada mais cômico. Nada mais próximo de nossas realidades, onde um vírus invisível nos constrange e assusta, onde uma máscara incômoda virou item do vestuário e onde um gesto simples como um aperto de mão ou um abraço representam perigo para a saúde de todos.
Serviço:
Pré-lançamento Online “Pra Sair de Casa”
Dia 11 de março
Local: canal do YouTube do Cine Teatro São Luiz (Mostra de Palhaçaria Feminina)
Dias 12 e 13 de março
Local: Plataforma Youtube Grupo de Dois
https://www.youtube.com/channel/UCrlMSbM6vILuV_fySYmJAXw

A descoberta do fogo revolucionou a existência humana. Ao redor do fogo, mulheres e homens começaram a se reunir e a se olhar nos olhos. Desse momento de comunhão surgem os primeiros traços da linguagem, as primeiras palavras que darão origem às primeiras histórias. Com idealização e curadoria da artista Camila Costa, a Chama das Histórias é uma roda de contação de histórias para jovens e adultos ao redor do fogo onde mulheres, contadoras de histórias, compartilham narrativas da tradição oral de origens e temas variados, que são passadas de geração em geração “de boca em ouvido”. Em volta da fogueira, como faziam os antigos, cria-se um ambiente de troca, escuta e olho no olho.
Ao todo serão quatro episódios que serão lançados no Canal do projeto, no Youtube, de forma gratuita, nos dias 19 e 26 de fevereiro e nos dias 5 e 12 de março, sempre às sextas-feiras, a partir das 18h. A cada edição, a Chama das Histórias oferece ao público a oportunidade de ouvir vozes femininas diversas. Ao convidar diferentes profissionais para compor essa roda, o projeto fortalece um espaço de troca e parceria entre as artistas participantes. As imagens foram captadas no Museu Histórico da Cidade do Rio de Janeiro, mantendo as características próprias do projeto, como o uso do fogo, a construção de uma atmosfera envolvente e acolhedora e a interação entre as artistas envolvidas. As gravações aconteceram respeitando o distanciamento social e toda a equipe permaneceu de máscara, inclusive as narradoras, nos momentos de gravação coletiva. Essa decisão foi tomada em conjunto, levando em consideração a segurança de todas no contexto atual de pandemia da COVID-19 e o papel político que os artistas possuem perante a sociedade. O projeto tem direção artística de Camila Costa e Ricardo Gadelha e participam das rodas de histórias além de Camila Costa, criadora do projeto, as narradoras Rita Gama, Rosana Reátegui, Anamô, Lucia Morais, Gizele Santos, Emiliana Moraes, Juliana Franklin, Marcela Carvalho e Julia Grilo. As histórias retratam contos de origem popular de povos árabes, brasileiros e latinos, dentre outros.
Roda 1 – 19/02 > Camila Costa convida Rita Gama, Rosana Reátegui e Anamô;
Roda 2 – 26/02 > Camila Costa convida Rita Gama, Rosana Reátegui e Lucia Morais;
Roda 3 – 05/03 > Camila Costa convida Grupo Palavra Chave de Contadoras de Histórias (Julia Grillo, Juliana Franklin e Marcela Carvalho);
Roda 4 – 12/03 > Camila Costa convida Rita Gama, Emiliana Moraes e Gizele Santos.
Além das rodas de histórias, o projeto também realizará nos dias 25/02 e 04/03 às 18h, o Seminário Oralidade: caminhos dos contos da tradição oral. Serão realizadas duas rodas de conversa com duração aproximada de 2h30min, divididas entre falas das convidadas e perguntas dos participantes. Para participar do Seminário será necessária a inscrição prévia e ao final das atividades os participantes receberão a certificação do evento.
Seminário: Oralidade: caminhos dos contos de tradição oral:
Roda de conversa 1 – Processos de aprendizagem através dos contos da tradição oral: relatos sobre as experiências na Oficina Escola de Arte Granada.
Roda de conversa 2 – Pesquisa, estudo e práticas na arte de contar histórias com o Grupo Palavra Chave de Contadoras de Histórias.
A Oficina Escola de Arte Granada, situada em São Pedro da Serra, Nova Friburgo, é um centro de referência para educadores em geral, especialmente aqueles interessados em educação através da arte, do meio ambiente e das histórias de tradição oral como ferramenta de trabalho.
O Grupo Palavra Chave de Contadoras de Histórias é formado pelas artistas Julia Grillo, Juliana Franklin e Marcela Carvalho. Desenvolve pesquisa em torno das histórias de tradição oral e realiza uma série de atividades a partir de seus estudos e práticas no campo dos contos tradicionais.
“Os contos narrados na Chama das Histórias são, em sua maioria, narrativas de tradição oral de origens e culturas variadas, mescladas com algumas passagens, poemas e contos autorais, a depender do estilo e pesquisa de cada narradora. O que essas histórias têm em comum? Muitos ensinamentos escondidos em suas tramas. Eles se revelam de formas variadas a partir do encontro que cada ouvinte estabelece com determinada história. Além disso, esses contos carregam, também, mensagens de esperança, renascimento e fé na vida e nos conectam com a essência da existência e o grande mistério que é estar vivo.” Camila Costa – criadora e curadora do projeto.
“Quem ainda estiver acordado ao final de uma noite de histórias sem dúvida irá se tornar a pessoa mais sábia do mundo” (Clarissa PinkolaEstés)
Sobre:
A Chama das Histórias é um espaço destinado à voz feminina em toda sua diversidade e complexidade, o que se dá através dos contos e das narradoras participantes. Desde sua criação, em abril de 2019, essa roda de contação de histórias ao redor do fogo vem acontecendo em variados formatos e lugares. Agora, em contexto de distanciamento social, nada mais pertinente do que se adaptar para garantir que esse ambiente de protagonismo das narrativas femininas siga existindo.
Para esse formato on-line, além dos episódios, foi elaborada uma ação formativa, o Seminário Oralidade: caminhos dos contos de tradição oral, pois acreditamos que, mais do que nunca, é preciso oferecer espaços de formação para profissionais da área da cultura e da educação. Dessa forma, o projeto pretende construir espaços de troca e aprendizagem e, também, contribuir para o desenvolvimento das pesquisas no campo da tradição oral.
O projeto Chama das Histórias foi selecionado pelo edital Fomento à todas as Artes da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro pela Lei Aldir Blanc.
Serviço: Chama das Histórias
Evento virtual, no Canal do Youtube.
Datas: Dias 19 e 26/2 e 5 e 12/3, sextas-feiras, a partir das 18h
Evento gratuito.
Classificação livre.
Youtube: https://www.youtube.com/channel/UCu3QltBg_Tleyl86A8vqxOQ/
Instagram: @chamadashistórias
Facebook: Chama das Histórias