
O propósito de Elaine Marques com o média-metragem “A Rede Azul” é conscientizar e gerar empatia sobre a comunidade autista | Foto: Fernando Schroeder”A maior parte do tempo eu me sinto como um antropólogo em Marte.” A frase da engenheira e bióloga Temple Grandin, dita ao neurologista Oliver Sacks, mostra bem a medida de como o mundo lhe parece estranho. Autista, que até os três anos e meio só se comunicava por meio de gritos, assobios e murmúrios, a americana Temple teve sua história de vida contada em filme, livros e matérias jornalísticas por revolucionar as práticas para o tratamento racional de animais vivos em fazendas e abatedouros.
Em Indaiatuba (SP), a 78,8 km da cidade de São Paulo, Alícia Nicol Marques Escudero, de 18 anos, também teve a sua história transformada em um documentário, mas antes serviu de inspiração para que sua mãe, a publicitária Elaine Marques, criasse o aplicativo Rede Azul, plataforma que conecta a comunidade autista a indicações de locais, serviços e oportunidades amigáveis. Diferente de Temple, Alícia não teve problemas com a fala ou interação na infância. Mas, também vê o mundo só seu, como qualquer pessoa. As duas colocam uma lupa (hiperfoco) sobre alguns temas, uma características dos autistas.
Mas, se não fosse isso, Temple não revolucionaria os equipamentos e instalações agropecuárias e Alícia não falaria e cantaria em japonês, sendo, inicialmente, uma autodidata. O que há de comum entre as duas mulheres, separadas a milhas de distâncias e por um considerável período cronológico de idade, é que elas enfrentam os obstáculos do caminho e o mais importante, na minha avaliação, tiveram mães que acreditaram no potencial delas.
Tomei conhecimento sobre Elaine e de seu aplicativo Rede Azul por meio de meu marido Cláudio, que é jornalista. Ele fez a matéria “Criado por moradora de Indaiatuba, app para autistas ganha o país e projeta expansão”, no final de 2020. E quando me falou que Elaine iria lançar o documentário “A Rede Azul”, fiquei empolgada. Pedi o contato dela. E nessa via de mão dupla, batemos um breve papo amoroso e empolgante. Então, sem mais delongas, segue o média-metragem produzido pela Acid Filmes, lançado no último dia 19, e que aborda aspectos do cotidiano de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), a partir da história do app idealizado por ela.
Rede Azul
O app explicado por Elaine no documentário, foi lançado em dezembro de 2019, na Google Play Store. Inicialmente, foi liberado para os municípios da Região Metropolitana de Campinas (RMC). Hoje, está disponível para todo país – já conta com indicações em 20 estados – e em torno de 1,5 mil usuários ativos. Em breve também será lançada a versão para IOS (Iphone).
Essa rede indica com pontos azuis os ambientes calmos e adequados para receber pessoas com TEA (Transtorno do Espectro Autista). Com isso, é possível você encontrar restaurantes, igrejas, médicos, escolas, salões de beleza e muito mais, além de também ter a opção de compartilhar com os outros usuários informações e experiências nos locais indicados. Quer saber mais sobre o aplicativo e o documentário? Clique aqui e confira o release.