Hoje (29) tem o espetáculo ‘Portas para o Absurdo’

A imagem pode conter: textoO espetáculo é composto de recortes dos textos mais representativos dos principais autores do Absurdo: O escritor romeno, radicado na França, Eugène Yonesco (1909 – 1994), e o irlandês Samuel Beckett (1906 – 1989). As peças representadas são: “As Cadeiras”, “A Cantora Careca” e “O Rinoceronte” de Yonesco.

Escrita e apresentada em 1952, “As cadeiras” veio depois de “A cantora careca” (1950) e “A lição” (1951). Essas e outras peças do franco-romeno Eugène Ionesco (1909-1994), como O Rinoceronte escrita em 1959, traçam um retrato de Yonesco como autor.
Na trama de O Rinoceronte, por exemplo, os habitantes de uma pequena cidade do interior estão reunidos em um domingo no terraço de um café. São vistos um, ou dois – não se sabe ao certo -, rinocerontes que passam em disparada pelas ruas da cidade. Aos poucos são vistos mais rinocerontes. Os moradores da cidade foram contaminados por uma doença, a “rinocerontite”, que os transforma em rinocerontes e os faz até mesmo desejarem se tornar o animal.

Dentro da ótica do Teatro do Absurdo, essas dramaturgias revelam uma concepção de mundo desprovido de lógica, sem conexão, onde suas criaturas pairam sozinhas com a responsabilidade de dar sentido às suas existências. Juntas elas se tornam uma critica a sociedade moderna e um alerta sobre o facismo.

Já em Beckett temos “Fim de Partida” e “Esperando Godot”
A tônica dessas peças é a angustia existencial. Beckett achava que a forma, a estrutura e o clima de uma peça não pode ser dissociada do seu significado e conteúdo. As cenas em seu todo são o seu significado. O que é dito está indissoluvelmente ligado à maneira de como é dito. As peças retratam a condição do homem no universo e os seus sentimentos de incerteza.

Entre a esperança e os repetidos desapontamentos das descobertas do dia a dia, as personagens surgem desprovidas de um sentido metafísico, não há lei nem ordem que lhes valha. Miseráveis, não entendem porque o são. Não passam de fantoches, são incompletas. Segundo Martin Esslen: (que cunhou o termo Teatro do Absurdo) “… representam o homem moderno. A sua situação não é trágica, uma vez que não tem relação com uma ordem divina. A sua condição é antes risível, ridícula, patética.”

É O absurdo da vida no teatro do absurdo. Os textos causam um grande estranhamento, e mesmo certa sensação de desespero, com uma dose de humor ácido, que obriga o espectador a rir para não chorar.

O teatro do absurdo surgiu no contexto da Europa pós Segunda Guerra Mundial. Havia um sentimento geral de agonia e desilusão após a vivência dos horrores da guerra. Por isso, uma corrente intelectual passou a contestar o próprio sentido da vida e das produções humanas, tais como a literatura. No gênero dramático, foram escritas e encenadas peças com situações ilógicas, personagens vazios, falas repetitivas, cujo efeito era de chocar o leitor/espectador e promover a reflexão sobre a futilidade do dia a dia.

“Absurdo é aquilo que não tem objetivo… Divorciado de suas raízes religiosas, metafísicas e transcendentais, o homem está perdido; todas as suas ações se tornam sem sentido, absurdas, inúteis” (ESSLIN, 1968, p. 20).

Camus em O Mito de Sisifo em 1942, já Indagava porque razão, já que a vida tinha perdido toda a sua significação, porque não se procurava saída no suicídio.

“Um mundo que pode ser explicado pelo raciocínio, por mais falho que seja é um mundo familiar. mais em um universo repentinamente privado de ilusões e de luz o homem se sente um estranho. Seu exílio é irremediável, por que foi privado da lembrança de uma pátria perdida tanto quanto da esperança de uma terra de promissão futura. Esse divorcio entre o homem e sua vida, entre o ator e seu cenário, em verdade constitui o sentimento do absurdo. “

PORTAS PARA O ABSURDO
Dia – 29 de Junho
Local – 4 Portas na Mesa
Hora – 19h30
Acesso – Gratuito