Antes de aceitar o convite para continuar à frente da Secretaria da Cultura do Ceará (Secult), o historiador Fabiano Piúba repetia um bordão: “Educação sem cultura é só ensino, segurança pública sem cultura é só repressão e assistência social sem cultura é assistencialismo”. Na nova gestão, esse continua sendo o desafio para os próximos anos, porém com uma diferença: a integração foi um dos pontos enfatizados pelo governador Camilo Santana (PT) na primeira reunião que teve com o secretariado para o novo mandato. “Para mim, o recado foi esse”, comenta.
Em entrevista exclusiva, concedida ao Verso, Piúba adiantou algumas das ações de intersetorialidade da pasta que serão tomadas como prioridade na nova gestão.
Uma delas, desenvolvida em parceria com a Secretaria do Turismo (Setur), pretende criar um programa para garantir que os turistas nacionais e internacionais que chegam ao Ceará por meio do hub aéreo possam se demorar no Estado conhecendo a cultura local. “A gente quer criar uma linha própria de um programa já desenvolvido pela Setur, que será o ‘Descubra o Ceará Cultura‘”, projeta.
Entre as intenções está a possibilidade de levar turistas para cidades históricas cearenses, como Icó, Viçosa do Ceará, Aracati e Sobral. “A gente vai criar uma linha de sítios históricos estaduais. Vamos começar os estudos com Quixeramobim, Barbalha, Camocim e Crato”, enumera.
Além das cidades históricas, outras duas linhas de atuação deverão compor o programa: uma específica para os festivais de artes do Estado – incentivando a presença dos turistas em eventos como Festival de Jazz e Blues, Cine Ceará, Festival de Inverno de Meruoca e Festival de Teatro de Guaramiranga – e outra para visitação aos mestres da cultura.
“Cada casa de um mestre da cultura é uma escola de reisado, de artesanato de couro, de madeira? Essa intersetorialidade tem essa relação com o turismo e também com a educação”, diz.
Outra pasta que está no campo de visão de Fabiano Piúba para parcerias é a Secretaria do Desenvolvimento Social (SDE). A ideia é que as duas áreas desenvolvam, juntas, o plano setorial para a economia da cultura, um dos compromissos assumidos no Plano Estadual da Cultura. “Não queremos inventar a roda. É aproveitar o que já existe no audiovisual, no artesanato, na música, na dança, no teatro, na produção cultural que gere emprego e renda“, afirma.
Na área da Ciência e Tecnologia, a intenção do secretário é articular editais parafinanciamento de pesquisas realizadas em equipamentos culturais do Estado, via Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap). “Vamos criar um edital para o acervo da Biblioteca Pública, que tem o setor de obras raras e da hemeroteca. Muitos pesquisadores de mestrado e doutorado usam esse acervo. A gente quer dar visibilidade para isso, seja por uma bolsa para pesquisa seja para publicação das pesquisas realizadas a partir desses acervos”, projeta.
Todas essas ações já devem ser articuladas com os gestores das respectivas áreas ainda neste ano, de acordo com o secretário.