A criança que é vítima de bullying dificilmente consegue lidar com o problema. Mas este não foi o caso de António, 9, de São Paulo, diagnosticado com Síndrome de Asperger. Na escola, vinham debochando do menino, que às vezes bate palmas por um longo período, sem produzir som, andando de um lado para outro – o movimento repetitivo é um comportamento comum para quem faz parte do espectro. Em assembleia escolar, António decidiu tomar a palavra e fez um discurso claro, em que expôs seu incômodo e pediu que parassem de rir dele, arrancando palmas dos colegas e emocionando os professores.
O episódio foi relatado pela mãe, a jornalista Lana Bitu, 45, em um post no Facebook que viralizou – desde 28 de setembro, já contabiliza mais de 7 mil compartilhamentos e 3 mil comentários. “Ele leva cinco minutos para amarrar o tênis e nao fecha um botão. Mas, nesses momentos em que fala, parece um homem de 40 anos”, conta Lana, por telefone, à CRESCER.
António só teve o diagnóstico definido no ano passado, depois de diversos exames. Ele é um asperger leve. “Não falava até os 4 anos e ficava o tempo todo deitado no chão, mexendo na sua coleção de trens do personagem Thomas e seus Amigos; além disso, andava na ponta dos pés e até hoje só come alguns alimentos”, diz ela, descrevendo comportamentos típicos do transtorno que é classificado como uma forma leve de autismo e que, portanto, compromete em diferentes níveis a comunicação e interação social.
Depois da fala na escola, aplaudido, António foi abraçado e elogiado pela diretora. Aos pais, contou que várias pessoas vieram lhe pedir desculpa. Um deles, aluno do quinto ano, disse que “nem sabia por que fazia aquilo”. E encerrou a conversa olhando pela janela: “É a vida melhorando”.
via revistacrescer