O ano de 2018 ainda está começando, mas a Marvel já emplacou um de seus maiores sucessos: primeiro filme da produtora protagonizado por um herói negro, Pantera Negra bateu recordes de bilheteria em seu final de semana de lançamento e já arrecadou mais de US$ 426,6 milhões — superando toda a receita de filmes da empresa como Capitão América: O Primeiro Vingador.
A história de T’Challa, líder do reino fictício de Wakanda que ganha os poderes de Pantera Negra para proteger o seu povo, ganhou elogios do público e da crítica especializada não apenas pela história bem contada e pelo visual impecável.
O filme também é histórico ao apresentar atrizes e atores negros como protagonistas, valorizando as particularidades culturais e históricas dos povos africanos para além dos estereótipos. Sem contar as personagens femininas do filme, que têm papel fundamental para o desenrolar da trama.
Além disso, Pantera Negra é repleto de referências históricas, políticas e culturais que contam a trajetória do movimento negro nos Estados Unidos pela luta por direitos sociais. Assim como no Brasil, a sociedade norte-americana conviveu com a escravidão de seres humanos durante séculos, deixando cicatrizes ainda não curadas, como a segregação, a falta de oportunidades iguais e a desigualdade econômica entre brancos e negros (alguma semelhança com nosso país?).
Ainda que dentro dos limites possíveis para um blockbuster que precisa ter fácil assimilação, algumas das cenas de Pantera Negra são uma tremenda lição para quem insiste em afirmar que o racismo não existe — de Donald Trump a exemplares de nossa política.